domingo, 27 de março de 2011

Eterno Poeta! (For you Mooçaa)

                                        Renato Russo

Tem coisa pior que um mundo só de paz e amor? Viver sem um espinho no olho e sem o prazer de pisar num caco de vidro? Mas é só para reforçar uma crença que não existe, na verdade; o mundo é dual. A noite pode cair numa tarde. Ou não, como diria Caetano.
Renato era doidamente lírico, acidamente romântico. Seu olhar era a ponta de sua lança. Que feria quando sangrava verdades. Seu escuro era claro demais.
Dos seus mergulhos, voltava à tona sem arranhões, embora dilacerado. Com a alma implorando justiça e o espírito, um pouco de paz. Ouvindo Renato, hoje, ainda vejo a juventude andando em trevas; nas trevas do efêmero, na burrice do agora, nos valores epidérmicos.
“Só os iluministas vêm ao mundo com a mística dos iluminados. Renato mergulhou nos oceanos da alma, viu o lodo, e trouxe pérolas. No seu inferno moravam anjos.”

Saudades do maior Poeta do Rock nacional!


Incrivél como a música é tão presente nas nossas vidas, deixa de ser um estilo musical, passa a ser um estilo de vida, impressionante a maneia de haver uma música para cada estado de espiríto que estamos vivendo... assim são as músicas de Legião, o Renato conseguia ler nossas almas, desvendar mistérios, sabia nos tirar da depressão, sabia como embalar nossos romances, tem sempre aquela trilha sonora ideal que se encaixa para cada momento vivido por nós...
 A falta que ele faz, essa não é fácil, hoje o grande poeta estaria completando 51 anos se vivo estivesse... mas façamos um balaço da música nacional depois da morte dele, não, não é e nunca será mais a mesma... vivemos em uma época de valorizar "coisas" coloridas, ondas adolecentes que em nada contribuem para a música, deixamos de  apreciar a boa música e vemos nossos ouvidos serem massacrados por "músicas" (?) de péssima qualidade...

Parabéns Grande Poeta!

RENATO RUSSO


  A morte de Renato Russo, o líder do mais interessante e poético grupo de rock do Brasil, deixa uma lacuna imensa. Com uma sensibilidade invulgar para os problemas de seu tempo, Renato fez das canções do " Legião Urbana " um manifesto apaixonado em defesa da vida, do amor, da tolerância e dos Direitos Humanos. Sua trajetória como poeta e "band leader" foi marcada, também, pela autenticidade. Renato Russo escrevia e cantava o que queria e do jeito que gostava. A padronização sugerida pela indústria cultural e os apelos comerciais jamais tiveram qualquer chance com ele. Uma de suas músicas -"Faroeste Caboclo" - em que descreve o caminho de um anti-herói -"Santo Cristo"- possui uma letra tão longa que seus produtores desaconselharam a gravação. A música saiu do jeito que Renato queria e é, ainda hoje, um dos maiores sucessos do grupo.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Definido elenco do filme Faroeste Caboclo, baseado em música do Legião Urbana

O filme “Faroeste Caboclo”, baseado uma das canções mais famosas da banda Legião Urbana, começou a definir seu elenco. A produção, que marca a estreia em longa-metragem de René Sampaio, diretor de curtas e de publicidade, escalou Fabrício Boliveira, Ísis Valverde e Felipe Abib como protagonistas.
Fabrício Boliveira, que atuou no filme “400 Contra 1″ e na novela “A Favorita”, será João de Santo Cristo, que, na letra da música, deixa sua terra natal rumo a Brasília, onde vira bandido e enfrenta Jeremias, o traficante mais poderoso da cidade, interpretado por Felipe Abib, do filme “180º”. Santo Cristo também se envolve num romance com Maria Lúcia, que será vivida por Isis Valverde, a Marcela da novela “Ti-Ti-Ti”, em sua estreia no cinema.
As filmagens vão acontecer em Brasília, berço da Legião Urbana.
Outro filme relacionado ao Legião Urbana em andamento é “Somos Tão Jovens”, que abordará a adolescência do cantor Renato Russo, com direção de Antônio Carlos de Fontoura (“Gatão de Meia Idade”).

Crônica sobre o AMOR ( Arnaldo Jabour)

Apesar que o Blog eh essencialmente sobre Legião hoje abri espaço pra mostrar essa bela crônica do Jabor;


Ninguém nasce para o outro. Amor e liberdade andam juntos. Ela é uma expressão do amor. "Dar" liberdade é confiar. O crescimento precisa de liberdade. De todas as artes, o amor é a mais sutil e precisa ser aprendida.

Amor é felicidade, harmonia, saúde. Um grande amante está sempre pronto a dar amor e não está preocupado se vai receber de volta ou não. O amor tem sua própria felicidade intrínseca. Quanto mais amamos, maior a possibilidade da pessoa certa acontecer, porque o coração floresce. O amor real nos deixa felizes e harmônicos pela simples presença do outro. Amor é eternidade. Se estiver presente, cresce. Ele conhece o início, mas não o fim. Duas pessoas infelizes que se unem multiplicam sua infelicidade.
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Cd Perfil Legião Urbana

  Ninguém poderia imaginar que um distrito criado para habitar burocratas pudesse se transformar no maior expoente da rebeldia juvenil da década de 80. Além de seu caráter eminentemente político, Brasília é lembrada por muitos como a terra do rock. O cerrado de Brasília foi o palco do nascimento de inúmeras bandas, entre elas a maior banda de rock nacional de todos os tempos: a Legião Urbana. O ano era 1982. Renato Russo tinha acabado de romper com sua primeira banda, a Aborto Elétrico, e encontrava-se entediado, com uma enorme vontade de dizer ao mundo a que veio. Diante desse cenário, Renato deu início formação da Legião Urbana. Em 1985, a banda veio ao Rio de Janeiro e gravou seu primeiro álbum. Extremamente politizado e com algumas canções que falavam sobre amor, o disco foi um sucesso absoluto de público e crítica e colocou o grupo no topo das paradas nacionais. De 85 a 96, 13 álbuns foram lançados, somando mais de 20 milhões de discos vendidos. Mesmo com a morte de Renato Russo e o consequente fim do grupo, em 1996, a Legião continua sendo um dos artistas mais vendidos do país. Diante de todo esse sucesso, a série Perfil resolveu homenagear a maior banda de rock que o Brasil já teve. O repertório do CD foi definido pelos próprios fãs, através de uma votação pelo no site da Legião Urbana, no mês de outubro de 2010, e contou com a colaboração de milhares de legionários. A ideia de montar um repertório interativo veio da frase que Renato Russo costumava dizer durante seus shows: A gente está aqui no palco, mas a verdadeira Legião Urbana são vocês. Quem é fã da Legião não pode perder essa super homenagem! 

FAIXAS:
  • 1. Tempo Perdido
  • 2. Será
  • 3. Quase Sem Querer
  • 4. Índios
  • 5. Há Tempos
  • 6. Perfeição
  • 7. Metal Contra As Nuvens
  • 8. Pais E Filhos
  • 9. O Teatro Dos Vampiros
  • 10. Giz
  • 11. Vento No Litoral
  • 12. Faroeste Caboclo
  • 13. Que País É Este
  • 14. Eduardo E Mônica

Histórias Irônicas de Renato Russo


"Que nada gente, esse negócio de timidez é tudo ensaiado!, diz a certa altura do show. Em um pequeno palco, envolto por convidados e integrantes do fã-clube, a Legião Urbana gravava, no dia 28 de janeiro de 1992, o segundo Acústico da história da MTV brasileira e o primeiro de uma banda de pop rock - João Bosco havia sido o precursor. A gravação aconteceu no extinto Hippodrommo, no bairro paulistano de Perdizes, casa famosa pelo estigma de "caveira de burro" - aquele lugar onde, nada dá certo, por mais que mude de nome, decoração ou público alvo. Desde então seu endereço já abrigou, entre outras coisas, uma igreja evangélica, e hoje é... bingo!
A Legião estava lançando seu quinto disco, V, e Renato tinha esperanças de não sair em turnê. "Você nunca sabia o que podia acontecer em um show da legião, Renato podia não aparecer, dar chilique, passar mal... O Dado dizia que eles viviam sob tortura", lembra Dinho Ouro Preto, cantor do Capital Inicial, conterrâneo e amigo dos legionários que compareceu ao Hippodrommo naquela tórrida tarde de verão. A platéia incluía também o cantor inglês Seal, escalado para o Hollywood Rock daquele mês - ele estava estourando com "Crazy" -, e o então VJ Luiz Thunderbird, que, reza a lenda, chorou de emoção. “É verdade que eu me emocionei, mas não me lembro desse detalhe. Eu e o Rogério fomos os únicos a ver a passagem de som,.. que durou umas quatro horas! Pedi para tocarem “Pais E Filhos”, uma das minhas musicas favoritas, e, no show, Renato a dedicou a mim, dizendo: “Esta vai para Thunderbird, o VJ sem pai nem mãe” Foi lindo", atesta o cantor da banda Devotos De Nossa Senhora Aparecida. É público e notório que Renato não gostava de cantar ao vivo - depois de certo ponto na carreira, só fazia isso em último caso. Na apresentação para a televisão, ele dava pistas: "Gente, comprem o disco! Ajudem! A gente só vai sair em turnê depois de vender uns 250 ou 300 mil, senão fica aquele pessoal lá na frente (voz fina e enjoada) : toca 'Ainda É Cedo!".

MENUDO, MITCHELL E YOUNG
Por outro lado, é bem verdade que ele parecia à vontade no pequeno palco. "Me 1embrou os tempos do Renato Trovador Solitário entre o final do Aborto e o começo da Legião, quando ele se apresentava sozinho cantando músicas que contavam histórias, tipo “Faroeste Caboclo” e “Dado Viciado”, 1embra Dinho. No disco, o tal trovador fala pelos cotovelos, como sempre - ele chega a tangenciar o assunto da Aids, dizendo: "Tanta coisa acontecendo... olha gente, isso é sério, safe sex or no sex (sexo seguro ou sexo nenhum)" - brincando e tocando até música do Menudo. Menudo? Pois é. Naquela época em que os porto riquenhos já não estavam no auge e Ricky Martin engatinhava em carreira solo, ele desencavou "Hoje A Noite Não Tem Luar" (no original, "Hoy Me Voy Para México") e a cantou, sozinho ao violão. "não foi brincadeira, tipo tocar jingle de sucrilhos, não. Ele gostava mesmo da música, que aliás nem fez muito sucesso" , 1embra Dado. Ao final, Renato pergunta: "Não é bonitinha?" e confessa: "Me emocionei".
A inesperada versão não foi ao ar com o especial da MTV e nem deveria ter entrado no CD. Antes de cantar, Renato pergunta aos técnicos: "não está gravando não, né?", e recebe uma resposta afirmativa. "Resolvi gravar tudo para poder fazer alguma coisa mais tarde. Se eu não tivesse feito, provavelmente não haveria disco" , gaba-se o engenheiro de som Egídio Conde. Dado Villa-Lobos, porém, desmente sua versão [veja boxe].

PIADAS E CHILIQUES
Além de Ricky, Ray, Roy, Robbie e Charlie, foram 1embrados outros favoritos de Renato : o Buffalo Springfield (banda que contou com Neil young antes de sua carreira solo), com "On The Way Home", que se funde a "Rise", do pós punk Public. Image Limited; a cantora canadense Joni Mitchell, em "Pretty Lies", e a distorção pop do Jesus & The Mary Chain do com "Head On" (gravada também pelos Pixies). O repertório da legião aparece numa seleção bastante criteriosa. As quatro primeiras músicas são dos quatro primeiros discos, e em ordem: "Baader-Meinhof Blues", "Índios", "Mais Do Mesmo" e "Pais E Filhos"- Nada de "Será" (Renato, em certo momento, debocha do sotaque baiano de Simone - que registrou a canção, cantando "nos pérdérémos entre mónstros...” e depois confessa: “Prefiro a versão da Cássia Eller”), Geração Coca-Cola ou outros hits óbvios, Entram mais algumas músicas de V, como "Sereníssima", "Metal Contra As Nuvens" e "O Teatro Dos Vampiros", além de outras faixas conhecidas dos discos anteriores. "No final da gravação ele estava feliz da vida, todos comemoraram muito", lembra Rogério Gallo, que dirigiu o programa ao lado de Marcelo Machado, " A banda estava no auge, havia muitos assessores cuidando de tudo", recorda o diretor musical do evento, Pena Schmidt. Mas nem todo mundo concorda com o tal clima de total paz e tranqüilidade. "O Renato ficava nervoso, brigava, criou um clima tenso em vários momentos dos ensaios e da gravação", lembra Marcelo. O ex-técnico de som da MTV Daniel Billio recorda um pequeno piti do cantor, Ao repetir uma música, um operador de som, atrás do palco e bem distante da banda, comentou: ',Pô, na gravação do João Bosco foi tranqüilo, tudo de primeira". Para a surpresa de todos, Renato ouviu e mandou, na lata: "É, mas eu tô errando aqui e vou repetir quantas vezes for necessário até acertar".

"SILÊNCIO RESPEITOSO"
No final de outubro, o público poderá levar para casa este Acústico em CD e vídeo - oito anos depois da gravação e a veiculação na MTV "Nunca tivemos pressa para lançar isso, já tínhamos um disco ao vivo, o Música para Acampamentos", lembra Dado, que foi a Los Angeles com o companheiro Marcelo Bonfá para a mixagem. "Foi simples, porque afinal eram só dois violões, uma voz e uma percussão eventual", lembra o baterista. “É verdade que o som da voz vazava no microfone do violão e vice-versa, mas deu para acertar tudo." O processo de masterização se deu no estúdio de Bernie Grundman, um dos mais badalados profissionais dos Estados Unidos (com discos de Michael Jackson no currículo).
Antes da gravação, a banda ensaiou por seis horas seguidas, e o resultado é emocionante e tecnicamente bem satisfat6rio. Claro, há alguns errinhos, como na imensa letra de "Faroeste Caboclo" (Renato gagueja ao falar "nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião"), que fecha o CD, Bem que Renato avisa antes, escolhendo bem o verbo: "Vamos tentar Faroeste”. De resto, são aqueles erros que só os músicos percebem, o público continua boquiaberto. "Vocês são muito gentis, eu errei pra caramba", diz ele, que nada tinha de auto-indulgente, ao agradecer os aplausos a belíssima versão acústica de "Índios".
O álbum tem uma particularidade em relação a discos ao vivo em geral e especialmente em relação a discos ao Vivo em geral e especialmente da legião: afora os e algumas participações (tímidas) nas conversas de Renato o público permanece silencioso, num respeito quase religioso. “Os Shows elétricos, grandes, da Legião eram como a beatlemania ou um culto evangélico, o público berrava de uma maneira tão histérica que às vezes abafava o som da banda. Nessa apresentação acústica aconteceu o contrário, uma missa medieval, com todo mundo querendo ouvir tudo e não soltando um pio", define Dinho.

UM MEMORIAL PARA RENATO
"Todo mundo adorava a Legião Urbana, tanto o público quanto a equipe técnica. O silêncio partiu mesmo desta adoração, não houve nenhum pedido da MTV para que as pessoas ficassem quietas", diz o diretor Marcelo Machado. Dado Villa Lobos, mais uma vez, tem outra versão (veja boxe).
Controvérsias, grandes ou pequenas sempre acompanharam a Legião e suas várias formações (além de Renato, Dado e Bonfá, a banda foi acompanhada, ao vivo, por diversos tecladistas, baixistas e guitarristas], O incidente mais lamentável foi o da apresentação no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, em 1988, quando uma apresentação interrompida foi seguida por tumulto. "Foi lamentável, aquilo fez o Renato odiar ainda mais os palcos", Lembra Fernando Artigas, produtor do espetáculo e amigo pessoal do cantor. Ao lado dos pais de Renato, Renato e Carminha Manfredini, e da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, Fernando é um dos articuladores do Memorial Renato Russo, inicialmente programado para ser inaugurado em abril do ano que vem.
Já existe, claro, um Espaço Cultural Renato Russo, onde acontecem shows e oficinas, na quadra 508 Sul da capital. "Agora o projeto foi encampado pela Secretaria de Cultura e vamos usar uma das salas para o memorial, que terá os óculos, roupas e alguns objetos do Júnior", conta dona Carminha. Ela lamenta que o filho vivia cercado de "falsos amigos", que roubavam seus pertences, "Ele ganhou muitos prêmios, inclusive da BIZZ, mas acabou sumindo tudo.” A gravadora EMI-Oden e amigos do cantor em Brasília e no Rio serão entrevistados pela curadora Sonia Paiva, "Depois vamos contratar um museólogo, que organizará a exposição”, adianta a secretária de Cultura do Distrito Federal,Luiza Dorna. A idéia é inaugurar o memorial como parte das comemorações dos 40 anos de Brasília.